segunda-feira, 2 de julho de 2012

PodQuest #46: Jogos São Arte? A Resposta Final

No PodQuest dessa semana, o trio de Questers está completo novamente para receber o artista de games Igor de Castilho e responder a uma pergunta sempre polêmica: games são uma forma de arte? Conheça a resposta absoluta e definitiva para essa pergunta no mais novo episódio do PodQuest.


Links:


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PodQuest #46: Jogos São Arte? A Resposta Final
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22 comentários:

Rodrigo "Chips" Scharnberg disse...

O titulo deste PodQuest deveria ser "Jogos podem ser Arte?", com a simple resposta sim, como qualquer merda (literalmente), dependendo do objetivo do "Artista". E seria o PodQuest mais curto da história. :D

Obs.: Ainda esto ouvindo o podquest.

Rodrigo "Chips" Scharnberg disse...

No final das contas, arte é uma opinião pessoal certo? Ao menos é o que eu tiro de conclusão com esse podcast.
Sendo assim, gostaria de saber daqueles que fazem parte da comunidade ao redor do PodQuest, se
isso é arte ou não?

1 - Pintura:
http://iamadamstone.files.wordpress.com/2008/06/teethrainbowforblog.jpg
e
www.wallstreetposters.com.br/ben-10-3d-prod-593.html

2 - Filme:
Titanic - www.imdb.com/title/tt0120338/
e
1984 - www.imdb.com/title/tt0088846/

3 - Música:
Red Hot Chili Peppers - Dani California - http://www.youtube.com/watch?v=Sb5aq5HcS1A
e
The Mars Volta - The Malkin Jewel - www.youtube.com/watch?v=Yh0stkLanx4

4 - Literatura:
As flores do mal
e
Harry Potter

5 - Jogos:
Fez - www.fezgame.com
e
Trauma - www.traumagame.com

Alguém se presta a responder essas categorias?

E se possível, quais os jogos que vocês acham e indicam como arte?

Fernando Secco disse...

Então Rodrigo,

acho que a primeira coisa a ser perguntada é, quais são os parâmetros para falar sobre games é arte, como o Igor comentou. Se você aplica uma formula, facilita, se você define como uma experiência criativa que você pode compartilhar com outros, aí qualquer coisa aplica e não tem mais conversa.

Quando falamos em ser opinião, ai praticamente tudo pode ser considerado arte.


Eu acredito que é como o Igor falou, vamos colocar uns parâmetros e se algo bater em todos os quesitos é arte. Por exemplo, eu chuto o balde e pergunto:

- culinária é arte? pratos de chefe é arte, pão com manteiga na chapa com café com leite, é arte?

- toda dança é arte, balé é arte, dança da garrafa, é arte?

- musica é arte, Beethoven é arte, Tiririca, é arte?

eu poderia perguntar mais, cortar cabelo, manicure, etc.

O grande problema é, sem paramentos definidos, não tem como discutir, e para mim esse é o grande problema.

BTW, comparar 1984 com Titanic... você tem todo o pessoal que gosta de cinema criticando Titanic e elogiando 1984, e você tem todas as 400 bilhões de pessoas que assistiram Titanic 5 vezes, choraram e acham 1984 um filme chato e parado. Que parâmetro vamos usar? quantidade de pessoas que gostaram? qualidade visual? se for qualidade visual, como comparar obras de épocas tão diferentes?

Enfim, só estou colocando mais lenha no fogo pois, não acredito que exista uma resposta :).

Abraço.

Rodrigo "Chips" Scharnberg disse...

Acho que é bem por aí Secco, a pergunta Game é arte, é tão cretina quanto se um game é bom ou não. No entanto acredito que uma pergunta está atrelada a outra de certa forma.
Não sei se tu notaste, mas assim como eu, tu também tens um certo preconceito sobre o que é, e o que não é arte. Tanto que citastes o que tu consideras e o que tu não consideras arte em diferentes áreas, só faltou a citação na área de games, o que significa que a arte pode vir de qualquer lugar, de qualquer mídia ou forma de expressão, desde que seja evidente para um ou mais indivíduos que aquilo não faz parte do padrão daquele formato de expressão.

Diria inclusive, que a merda enlatada ou a privada exposta como arte é uma tentativa de expressar arte sobre o conceito de arte. (Boring... Eu sei.)

Em suma, aparentemente todos nós sabemos o que é arte, e temos um conceito próprio de arte. Só é difícil de entender por que englobar toda uma forma de expressão como arte. Mesmo que a gente queira muito, nem todas as pinturas, concertos, pratos, musicas (clássicas ou não) são arte, e muito menos, tudo o que é feito em Audio Visual é arte. Mas não quer dizer que não haja em todos os grupos, elementos que sejam vistos como a mais pura arte, independente do poder de alcance ao público que ela tenha.

Bruno Afonseca disse...

Opa!
Falo aqui tanto como profissional da área de games quanto como graduado em Belas Artes - Considero os jogos não só arte, não só entretenimento, mas como um meio de comunicação. Que pode ser usado tanto para prover experiências sublimes e profundas quanto vazias e banais.

E creio também que o questionamento "é arte ou não é?" já é algo antiquado. Foi-se o tempo em que existia a arte e a vida em esferas separadas, hoje em dia, essa linha é borrada. Ou pelo menos, é o que almejam os artistas contemporâneos. Street art, cinema "arte" conquistando grandes salas de exibição, instalações, performances/flashmobs etc., são exemplos disso. E a tendência é que os jogos sigam o mesmo rumo, com o advento desses canais alternativos de distribuição, como Steam, Desura etc.

E o fato de uma obra ser comercializada não afeta em nada o seu status de "arte", e também ninguém disse que "arte" precisa ser algo cabeção e entediante. É visivel em exposições como a bienal, inhotim etc. como a própria arte contemporânea tem ficado mais lúdica, interativa e acessível.

Resumindo, acredito que esse questionamento "arte ou não?" seja apenas limitador, não agregando nenhum valor à mídia. Isso virá com o tempo, com o amadurecimento dela, não só tecnicamente quanto em narrativa, estética, temática...

Os jogos podem ser tudo, deixemos que o sejam!

PotHix disse...

Æ!!

Bem, eu sinceramente não sei como vocês conseguiram discutir algo nem foi possível chegar numa conclusão do que é, sem parametros a discussão acabou ficando perdida. Se tivesse nomeado o podcast como: "O que achamos que é arte e sua relação com os jogos" faria mais sentido, assim todos falavam o que acham que é arte e quais jogos se enquadram nessa situação.

De qualquer forma parabens pelo podcast e continuem trazendo discussões construtivas.

Há braços

Gilliard Lopes disse...

@PotHix Pô, ninguém entende meus títulos de podcast sarcásticos... =(

Rodrigo "Chips" Scharnberg disse...

Desculpa Gilliard, mas se developers com pouco convivio social já tem dificuldade de compreender sarcasmo na roda de amigos (entenda-se jogando WoW/CoD e afins) com som e entonação de voz, imagina escrito e sem contexto... Acho que tu estás exigindo de mais dos ouvintes!
Eu não estou aqui para pensar só para ouvir vocês falarem!

Thiago Ramalho disse...

Bom primeiro eu gostaria de dizer que curti muito a discussão.

Sobre a questão do que é arte ou não, eu sou meio antiquado na definição.

Então para mim existem dois conceitos, algo pode ser uma obra-prima porém não ser arte.

Obra prima eu entendo como algo que superou todo o conceito vigente, um exemplo simples, uncharted 2 superou todo o nível visual da sua época (os lançamentos existentes) porém ele não é arte.

Eu acho sim que existem alguns parâmetros para definir o que é arte ou não, acredito que existam tais parâmetros pois se fosse totalmente subjetivo um grupo de pessoas não poderia considerar um quadro como arte.

Então aqui vai:

- Talento do criador: uma pessoa talentosa (quase um dom) consegue usar o meio de forma primorosa, seja isso talento matemático ou talento com pincéis (apenas esse parâmetro seria considerado obra-prima).

- Transcende o conceito comum: Eu suponho que a arte as vezes chega a ser rebelde para o seu tempo, isso pode ser observados em algumas obras que só muito depois de criadas passam a ser admiradas.

- A mensagem: Esse talvez seja o conceito mais forte, e nem sempre é aparente a mensagem.

Esse tipo de coisa pode ser visto por exemplo na Monalisa, ele com certeza não tem o primeiro parâmetro mais provavelmente tem o segundo e com certeza tem o terceiro.

O quadro não é interessante e admirado pelo seu foto-realismo, mais com certeza por ser enigmático, oras por que motivo aquela mulher, por que pintada daquela forma, talvez existam os easter eggs na pintura que a cada momento que nós os descobrimos nós e tentemos entende-los obra passa a ter mais valor (e ser considerada como arte) pois nesse ponto nós conseguimos também entender a genialidade do criador.

Bom acho que ficou meio confuso mais essa seria a minha definição sobre arte

Rodrigo "Chips" Scharnberg disse...

Couldn't agree more!

Inclusive na ordem,
- Talento (Peso 1)
- Conceito (Peso 2)
- Mensagem (Peso 3)

Simples assim. Ou não...

Edmo Freitas disse...

Acredito que a definição do Fernando Secco foi a que mais se aproximou de realmente ser uma definição, e depois de ouvir o cast minha opinião é a seguinte:
Arte é qualquer forma de expressão com a principal intenção de se expressar e causar alguma sensação à quem é exposto a ela, podendo depois ser vendida, ou não.
Tendo isso definido eu consigo te dizer o que é arte ou não.

Um poema clássico e muito bem reconhecido é arte.
Um poema recente que copia o o estilo do anterior, mas com um resultado muito ruim também é arte, o que vale é a intenção do artista de querer.

O Fernando ter gostado e guardado a caixinha não a classifica como arte.
Se realmente houve um designer por trás que se dedicou a produzi-la pensando no que a pessoa que recebesse o presente iria achar, é arte.
Se foi simplesmente tinta jogada por cima dela por uma máquina, a reação do Fernando de gostar ou não dela não foi a intenção de alguém.

Um game trabalhado por um time com a intensão de passar uma experiência ao publico é arte.
Um game que recebe uma sequência feita sem pé nem cabeça, que acaba com a história que o primeiro construiu, e foi feito só pra conseguir grana pela fama do primeiro, perde a classificação de arte.
Por mais que o game seja produzido por uma grande equipe, com grande foco em vendas, há a pessoa por trás que vai ser responsável por, por exemplo no Fifa, de passar a sensação de amor ao futebol, a emoção de se vencer uma partida. É essa intenção que me faz classificá-lo como arte, sim.

Leandro Vian disse...

Salve galera,

concordo com o que foi dito Fernando,Thiago,Rodrigo e Edmo. Sempre pensei em arte seguindo conceitos parecidos com os citados por eles em seus posts, não me agrada e nem convence a idéia de que qualquer coisa é arte, só porque provoca algum sentimento sem que o faça com um objetivo maior e ou por meios que tragam uma reflexão da pessoa.

Além disso queria dizer que o nível das respostas está muito bom, valendo muito a pena ouvir o podcast e voltar com frequência para ler o que foi dito pela galera.

abraço

Rodrigo "Chips" Scharnberg disse...

Boa Leandro!
Uma dica é "Assinar" os comentarios. Digo isso, por que eu só descobri que dava para fazer isso essa semana, então, se existe alguém desinformado como eu, fica aí uma boa opção para se atualizar das discussões do PodQuest.

PotHix disse...

@GilliardLopes Pior que eu nem queria dizer apenas do título, mas sim de toda a discussão, me expressei mal, o que eu queria dizer é que poderia ficar mais organizado começando tentando definir algo para depois tentar analizar os jogos. E o "diga sim ou não" atrapalhou bastante também :P.

Há braços

Anônimo disse...

É arte nada, a BioWare provou isso essa semana.

MickaelSM disse...

Faz muito tempo que eu penso isto aqui:


Formas de Arte:


Pintura - o autor se expressa através do desenho (forma, cor, conteúdo)

Literatura - o autor se expressa através das palavras (narração, poesia)

Cinema - o autor se expressa através de cenas em movimento.

Games - o autor se expressa através da imersão do jogo.


Todas as formas de arte tentam nos levar para algum "outro lugar" e criar um elo com o
interior do indivíduo para se fazer entender.

Os jogos, devido à sua imersão, criam um elo muito forte com o jogador. E nos levam a "outro
lugar", levam à nossa imaginação (sem isto, as formas e artes do jogo nunca seriam "críveis").

Então, o que quero dizer é que quanto maior o nível de imersão de um jogo, maior seu nível
artístico e melhor se comunica com o jogador. Lembrar que a imersão depende das ferramentas
utilizadas, como música, arte gráfica, game designm e narrativa, assim como a pintura depende
dos pincéis, tipos de tinta, quadro etc.


Se você disser que a música do jogo ou a arte gráfica do jogo torna-o uma forma de arte, eu
discordo, pois você está se referindo à música e à modelagem, não ao jogo em si. A imersão
é o que torna game uma arte.

Agora, se essa arte é boa ou ruim, é a mesma coisa que questionar se a obra "Obras Póstumas
de Brás Cubas" é melhor que "Memórias de um Sargento de Milícias". Aquela é considerada uma
das obras mais importantes da literatura brasileira e esta nada mais é do que um "documentário"
sobre o Brasil no século XIX (de acordo com um antigo professor de literatura). Por quê? O nível de profundidade e o que é discutido nas obras é bem diferente entre as duas.

Nos jogos, podemos dizer que Journey é uma arte muito melhor do que Homefront. Aquele nos
leva a uma viagem espiritual que só melhora nosso ser. Este nos faz pegar em armas e atirar
em outras pessoas (a mecânica básica do jogo), que com certeza não melhora nosso nível de
ser. O nível de profundidade e o assunto discutido são completamente diferentes.

Lembrar que a arte deve enriquecer o espírito humano.

E recomendo assistirem a Indie Game: The Movie. Nele, jogo ser uma forma é indiscutível.

Gilliard Lopes disse...

Pessoal, segue também o link do áudio enviado pelo ouvinte Diego Perez com a opinião dele sobre o assunto:
Ars - Diego Perez

elanovasconcelos disse...

pra mim a definição de arte é: arte é tudo aquilo que é arte para voce.

Ou é isso ou arte não existe...

Anônimo disse...

Concordo que o que se deve buscar em um Game é realmente imersão, talvez o "Flow", aquele momento em que 1 hora parece 5 minutos. A transmissão de uma forma de experiência em um precesso enunciativo.

MickaelSM, gostei da sua teoria. Porém essa classificação não me parece muito correta, pois as outras formas midiáticas como literatura, pintura e cinema também trabalham com imersão.

Também não acho que é a interatividade proporcionada pelos Games que os tornam uma forma de arte, pois diversas outras mídia conseguem criar imersão sem serem tão interativas(literatura)como esta. Talvez a questão não se encontre na mídia em si, mas na mensagem que queremos passar adiante, na experiência que gostariamos de transmitir(seja ela interessante ao leitor,espectador,jogador ou não)

O que importa não é o suporte(o meio de comunicação) em si, mas a mensagem que gostariamos de transmitir de acordo com o suporte que nós temos.

Marcelo Martins disse...

Parabéns por trazer essa discussão profunda! Vocês tocaram em pontos fundamentais.

Acho que o motivo pelo qual o assunto gera tantas discussões acaloradas é a tal da dicotomia produto X arte. Ainda se tem a idéia de que arte é uma coisa que deve ser levada a sério, enquanto o produto é algo inferior e infectado pela ganância capitalista. Arte é nobre, produto não.

Porém, essa linha nunca foi muito bem definida. Um exemplo ligado à música: muitos compositores que hoje consideramos clássicos, fizeram seus trabalhos como freela! Eles trabalhavam para a igreja, para os reis, etc. Ou seja, seu trampo freela hoje pode ser arte daqui a 100 anos.

Voltando aos jogos: como a mídia jogos ainda é vista de maneira muito superficial pela comunidade não-jogadora, ainda nos esforçamos para mostrar que o que a gente produz é arte, justamente para poder ganhar reconhecimento. O cinema conseguiu isso e não tenho dúvidas que os jogos serão os próximos.

Marcelo Martins disse...

Vejam a opinião do MoMA sobre o assunto:

http://www.polygon.com/2013/5/30/4380074/moma-paola-antonelli-applied-design-ted-talk

João Henrique disse...

UHUWWW !! Esse foi o único podquizz que eu acertei !! EEEEE !! :P

AAA . para com essa putaria de querer diminuir o tamanho dos episódios .. kkkkkkk ...

to chegando nos inéditos !! :P